Expedição ao fim do mundo

No dia 10 de Janeiro de 2009 na sede do Moto Clube Paranaguá aconteceu a largada da 1ª Expedição ao Fim do Mundo. Ao todo três motociclistas de Paranaguá e um de Curitiba participaram da largada. Segundo Jorge Cancela, presidente do Moto Clube Paranaguá, o objetivo desta viagem, além de fazer turismo, será criar um documentário em vídeo, que mais tarde será disponibilizado para os amantes do motociclismo, para que possam ver como foi a viagem dos aventureiros até a Patagônia, na Argentina. "Esperamos que tudo corra bem, queremos gravar tudo o que acontecer e divulgar o vídeo com todos os detalhes da viagem, para que as pessoas possam saber o que passamos", comentou Jorge.

Entre as dificuldades que os pilotos irão encontrar, estão o terreno arenoso que existe na Argentina, os fortes ventos laterais e a possibilidade de chuva forte durante os mais de 14 mil quilômetros da viagem.

Jorge Cancela também comentou sobre o ponto mais difícil da aventura, segundo ele, um dos pontos mais críticos da viagem será a Carretena Astral, pois além de ser um percurso muito difícil, a altitude de mais de 3.000 metros será o grande desafio a ser vencido.

"Neste ponto teremos que ter muita atenção, até para não acontecer nenhum acidente, pois a falta de oxigênio será um dos problemas que teremos que passar", frisou Jorge.

Mesmo tomando todas as precauções para uma viagem segura, o grupo não tem definição de quando fará sua primeira parada, o que cada um espera é poder chegar ainda hoje na Argentina.

Vale ressaltar, que o Moto Clube Paranaguá é conhecido por realizar viagens longas desde 1987, entre as já realizadas estão a Trans-amazônica, a do Sertão Nordestino e a Machu Picchu.

 

 

Diário de Bordo

 

1º  dia – Sábado, 10 jan 2009. Até CARAZINHO-RS. 684 km.

Com a ansiedade da viagem não foi possível dormir bem.

Cedinho já estávamos na sede do MCP para o "café da manha" com os parentes e amigos; depois de um rápido "papo" com todos e uma entrevista para a Radio Ilha do Mel, tiramos algumas fotos e "pé na estrada" que o trecho é longo.

Logo na serra, na BR 277, já começou uma garoinha com neblina e um friozinho para dar o tom da viagem.

Mas estávamos preparados para isto, não fosse uma "escorregada" de traseira numa curva na serra, não teria "nem me assustado" com a garoa e neblina.

Paramos para almoçar próximo à Lapa, o que estava programado pra ser apenas um lanche rápido, virou um tremendo rango com saladas, frango, macarrão e o "escambau".

Na primeira parada para reabastecimento começou meu "stressezinho", minha moto que estava ótima até então, já não tinha mais marcha lenta e perdia força nas subidas mais íngremes (já comecei a pensar no meu amigo e mecânico Neto) que havia "preparado" a carburação para a viagem, com seus "truques" e quando, depois de atravessarmos o estado de Santa Catarina, chegamos em Passo Fundo que a principio seria nossa primeira parada para dormir; por incrível que pareça havia um grande evento na cidade e o sujeito do hotel nos informou que o melhor seria tocar para Carazinho, 45 km adiante e ficar por lá, foi o que fizemos.

 

 

2º  dia – domingo, 11 jan 2009. Até URUGUAIANA-RS. 522 km.

O domingo amanheceu nublado e com cara de que choveria a qualquer momento.

Eu estava bem abatido por não ter conseguido dormir quase nada, devido a preocupação com a moto.

Depois do café, coloquei uma bermuda e vamos tentar resolver o problema, saquei o carburador pensando que fosse giclê entupido, não era, filtro de combustível também não.

O gerente do hotel vendo nosso sufoco chamou um mecânico de motos, amigo dele, que rapidamente detectou o problema, havia caído o parafuso do ar, por isso a moto falhava e não tinha marcha lenta.

O mecânico "adaptou" um parafuso meia boca e tocamos para Uruguaiana.

A moto ficou bem melhor. Na estrada quando logo depois do almoço começou a escurecer muito e enfrentamos um tremendo temporal; paramos para o almoço, na estrada e desta vez ficamos apenas no pão caseiro e queijo caseiro com coca-cola e fanta.

Logo passando o temporal, tocamos em frente, pelo menos refrescou um pouco, apesar do 36 graus de calor na estrada.

Faltando menos de 15 km pra chegarmos em Uruguaiana, por pouco não presenciamos um grave acidente entre uma moto e um Fiat Uno, o carro teve uma roda dianteira quase arrancada, imaginem como ficou a moto: o motoqueiro voou longe e tentamos "acalma-lo" e mantê-lo consciente até a chegada do bombeiro, deu certo, mas sinceramente o cara estava todo quebrado e pelo jeito o motorista do Uno deveria estar "borracho", como dizem os gaúchos para quem está bêbado e também estava dirigindo sem camisa e de havaianas.

Com a chegada da viatura dos bombeiros nossa parte fora cumprida. Tocamos em frente e ficamos no primeiro hotel.

Por indicação do gerente do hotel jantamos muito bem e tomamos também, hé, hé...

 

Uruguaiana-RS - Aduana

 

3º  dia – segunda-feira, 12 jan 2009. Até SAN JOSE-ARGENTINA. 353 km.

Aproveitamos para dormir um pouco mais e lavar umas peças de roupa.

Por orientação do gerente do hotel fui a uma autorizada Honda, onde fui muito bem atendido, rapidamente o mecânico providenciou o parafuso de ar que caíra do carburador da Falcon e a moto voltou a funcionar normalmente.

Aproveitei também para despachar de volta para casa algumas "coisinhas" que estavam pesando demais na bagagem.

Neste dia encontramos com um casal de paulistas, de Ribeirão Preto, que estavam indo para Santiago-Chile em uma Tornado e com uma bagagem bem grande e "amarrada" apenas com uma grande "aranha"; mas estavam bem contentes.

Logo depois do almoço nos dirigimos a Aduana (fronteira Brasil-Argentina) para "cambiar" uns pesos argentinos e fazer os tramites legais para entrar no país, com um calor infernal, passamos mais de duas horas na fila (desorganização total); finalmente entramos na Argentina; abastecemos e fomos em frente.

Logo depois da fronteira, ainda em Passo de Los Libres, começou um trecho com "em reparacion", foram mais de 250 km nesta situação e como alguns lugares a velocidade era de 60 km/h., acabamos levando quatro multas (estavamos em quatro, hé, hé...).

Na parada para o segundo "abastecimiento" apesar de rodarmos devagar, minha moto fez uma media excelente, mais de 26 km/litro, com a nafta argentina; as XT 660 fizeram 22 e a Teneré do Spin que fazia 18 ou 19 com a gasolina nacional, caiu para 16 km/litro, ele ficou muito triste (não é pra menos, hé, hé...).

Depois disto, os guardas nos ofereceram água gelada, etc.

De novo o calor aumentou e no final da tarde enfrentamos outro temporal, resolvemos dormir numa pousada na beira da estrada, para não ter que tocar à noite.

Pernoitamos próximo à San Jose-ARG.

Depois da chuva refrescou bastante, deu para dormir bem, ainda assim usamos o ar condicionado ("to pagano"....).

 

 

4º  dia – terça-feira, 13 jan 2009. Até ADOLFO G. CHAVES-ARG. 748 km.

Neste dia amanheceu com chuva leve e "fresquito" (como dizem os argentinos), acordamos cedo, tomamos um "desayuno" (café da manha) e fomos para a estrada, pretendíamos rodar mais de 700 km.

Rodamos tranqüilo e depois de muitos "empalmes de ruta" (cruzamentos de estradas), passamos muito próximos de Buenos Aires, mas como não queríamos entrar em cidades grandes, tocamos em frente.

O almoço neste dia foi conforme o planejado, lanche leve às duas da tarde.

Coincidência interessante foi pararmos para pedir informação numa cidade com 4 mil habitantes e perguntar-mos justamente para.... o dono do hotel, hé hé...

Quando seguíamos para o tal hotel percebemos uma argentina gesticulando e nos seguindo de bicicleta, ao pararmos ela "esbaforida" se apresentou dizendo que era radialista da rádio local e rapidamente Ernesto, nosso "espanhol" deu a entrevista; de repente estávamos cercados por vários curiosos que queriam saber tudo da viagem e do Brasil.

 

 

5º  dia – quarta-feira, 14 jan 2009. próximo à BAHIA BLANCA-ARG. 365 km.

Na noite anterior jantamos muito bem, com muita Quilmes (cerveja argentina) e bife de chorizo (picanha).

Acordamos temprano (bem cedo) e pretendíamos neste dia rodar até Puerto Madryn, cerca de 940 km.

Mas depois de cruzarmos Bahia Blanca aconteceu um problema na roda traseira da moto do Paulo (Forigo), simplesmente "quebraram-se" quatorze raios, por sorte ele conseguiu parar no acostamento e seguimos em velocidade bem baixa por causa do vento lateral muito forte naquele trecho.

Mal paramos e sacamos a roda traseira, ao sinalizar para pedir carona, um caminhoneiro carregado de gado parou e prontamente levou o Paulo com a roda até Bahia Blanca e felizmente eu havia levado um jogo de raios para a minha Falcon e foi o que nos salvou.

Ernesto seguiu o caminhão para ajudar o Paulo a tentar "arreglar el llanta" (arrumar o aro da moto); eu e o Stin ficamos cuidando da moto, depois de quase seis horas de espera, muito calor (36 graus com sensação térmica de 40, segundo a radio local) e uma tempestade de areia que nos deixou muito assustados e sujos, regressa o Paulo na garupa do Ernesto, nesta altura já passavam das 7 da tarde e cansados resolvemos pernoitar num hotelzinho próximo dali.

 

 

6º  dia – quinta-feira, 15 jan 2009. PUERTO MADRYN-ARG. 638 km.

Saímos às 6 da manha com destino a Puerto Madryn, neste dia estava uma temperatura agradável e ao pararmos para fazer umas fotos e filmagem, parou um motoqueiro dinamarquês, que quando soube que o Stin também era da Dinamarca ficou contentíssimo e dali em diante entrou pro nosso grupo.

Logo depois de pararmos para abastecer as motos e lanchar, o Paulo ao dar uma inspecionada na roda de sua moto, percebe dois raios quebrados, aí caiu o "alto astral" da equipe e tocamos bem devagar com todos "de olho" no rodado dele.

Numa parada para uma "inspeção" mais detalhada, aparece outro motoqueiro, dessa vez um americano que também viajava sozinho; muito solícito foi logo se entrosando e demonstrando conhecimento de mecânica fez a troca provisória dos raios quebrados.

O Stin e o outro dinamarquês seguiram em frente para adiantar um hotel para a equipe e nós, por indicação de um frentista do posto de gasolina que paramos para abastecer, tentamos um "taller" (oficina mecânica) depois de quase uma hora de espera na porta da oficina, apareceu um motoqueiro argentino e nos informou que naquela hora não conseguiríamos nada por que era hora da "cesta" e o mecânico só voltaria 16:30 hs., mais ou menos.

Resolvemos tocar em frente.

Chegamos em Puerto Madryn por volta das sete da tarde (aqui anoitece às 10 da noite); encontramos o Stin e Carl (motoqueiro dinamarquês) que já tinham conseguido alugar um sobrado com vaga para 5 pessoas (o americano preferiu ir para um hotel).

Nos instalamos e em seguida fomos atrás de uma oficina mecânica, por sorte o mecânico era muito legal e já chamou um "arreglador de llantas" que inspecionou o rodado da moto do Paulo e garantiu que podia resolver o problema.

Acertamos tudo para deixar a moto no dia seguinte.

 

 

7º  dia – sexta-feira, 16 jan 2009. PUERTO MADRYN. 36 km. (rodamos somente na cidade).

Depois de jantarmos na noite anterior, fomos dormir bem cedo (Paulo acordou com olheiras, não era pra menos, com a segunda zebra na sua moto).

Logo cedo levamos a moto dele pro "llantador", aproveitei pra trocar o cabo de velocímetro da minha, lavamos as motos e fomos resolver outras coisas pela cidade.

Almoçamos num restaurante muito diferente, tinha toda decoração e formato de um barco ou navio e a garçonete era brasileira, de Santos.

Stin, Paulo e o dinamarquês comeram salmão branco eu e o Ernesto preferimos uma paella muito "esquisita" (saborosa, em português).

Puerto Madryn é uma cidade bem bonitinha, faz lembrar Balneario Camboriu-SC.

Apesar do dia nublado, à tarde contratamos um carro para nos levar a ver de pertinho os elefantes marinhos, depois de rodarmos de carro por cerca de 80 km em estrada de "ripio" e ter de descer um paredão de mais ou menos uns 40 metros de altura, valeu muito a pena pela oportunidade de curtir os animais cara à cara, foi uma experiência inesquecível.

No final da tarde voltamos para pegar a moto do Paulo e à primeira vista pareceu que o trabalho ficou bom (apesar de caro, hé, hé..).

 

 

8º dia – sabado, 17 jan 2009. CALETA OLIVA, 642 km.

Saímos cedo de Puerto Madryn, tocamos até Punta Tombo, com 80 km de ripio.

Na chegada na "pinguineira" haviam pessoas de varias nacionalidades. Um guia local nos informou que em Punta Tombo residem mais de 1 milhao de pinguins, e que nesta epoca  haviam mais ou menos 500 mil apenas...

Na saída de Punta Tombo para pegar de noivo a Ruta 3 encontramos um casal de ciclistas poloneses que muito sorridentes nos ofereceram bolachas e suco e disseram que estavam há dois anos na estrada e já haviam percorrido três continentes.

Chegamos em Caleta Oliva as 19:30 hs., acabamos encontrando no mesmo hotel o americano Nick que havíamos conhecido na estrada quando na chagada de Puerto Madryn.

Seguiu conosco para o jantar e pela manha viajou junto.

Em Caleta Oliva o Nick teve uma dificuldade com o jantar, o bife de chorizo (picanha) que ele pedira veio muito passado e na segunda vez muito cru, acabou ele pagando e não quis comer nada; ficou assim uma situação muito desagradável.

 

 

 9º dia – domingo, 18  jan  2009. RIO GALLEGOS, 659 km.

Saímos cedo de Caleta Oliva e até a hora do almoço a viagem tinha rendido bastante, logo depois de um abastecimento e uma parada para lanchar a moto do Steen começou a falhar e perder rendimento, forama quase 4 horas pra rodarmos menos de 300 km.

Por alguns momentos com vento lateral muito forte tivemos que rodar a 60 km/h.

E em duas paradas para abastecer não havia mais gasolina, felizmente estávamos com os tanques de maior capacidade, isto nos salvou de ficar sem combustível.

 

 

9º dia – segunda-feira, 19  jan  2009. RIO GALLEGOS, 26 km.

Fomos procurar uma oficina para dar um trato na moto do Steen, aproveitamos também para trocar o óleo das motos.

O Nick foi em frente sozinho, mas depois de apenas 10 km rodados, desistiu e voltou, o vento lateral estava fortíssimo e não permitia equilibrar a moto; e assim foi ate o final da tarde.

De qualquer maneira não poderíamos seguir adiante.

Almoçamos muito bem, salmão e vinho chileno, com direito a sorvete de fruta típica.

 

 

 

10º dia – terça-feira, 20  jan  2009. RIO GRANDE, 384 km.

Planejavamos neste dia chegar em Ushuaia, mas o tempo perdido nas travessias de quatro Aduanas: Arg/Chile e de novo Chile/Arg., com muitos ônibus de turista e mais um vento lateral que mal permitia andar a pe, acabou nos esgotando e resolvemos ficar em Rio Grande.

Na pousada que ficamos o mais engraçado foi ter que passar as motos em um corredor estreito, a única que precisou tirar o alforje foi a Tenere do Steen.

O vento estava tão forte que no retorno do jantar tivemos que pegar um táxi.

 

 

11º dia – quarta-feira, 21  jan  2009. USHUAIA, 212 km.

O dia amanheceu com pouco vento e muito frio, as 7 horas da manha o termômetro da moto marcava 8 graus.

Saímos do hotel com intenção de tomar um café e abastecer em Tolhuin, 104 km a frente.

Na parada para o abastecimento cruzamos com uns jipeiros de Minas Gerais e também um motoqueiro de Ibirama-SC., que acabou pegando uma carona conosco e ficou três dias; Samuel contou que vinha com três amigos, mas no primeiro dia um desistiu porque não conseguia acompanhar o ritmo dos outros dois e o outro teve problemas com o motor da moto quando faltavam apenas 1.500 km pra chegar em Ushuaia.

A chegada em Ushuaia, por volta de meio-dia foi emocionante, cada um sentiu a beleza do cenario lindo que são as montanhas que circundam a cidade.

Depois de arranjar um local para ficar (Hostal) muito bom e relativamente barato, o Nick resolveu ficar num hotel mais caro.

Saímos para o almoço (3 hs., da tarde) e fomos conhecer o centro da cidade, bem estruturado e caro para os nossos padrões.

Quando chegamos na placa de identificação do "fin del mundo" haviam estrangeiros de vários lugares do mundo, mas o que mais chamou a atenção foram duas francesas ciclistas que estavam percorrendo a Patagônia já há 4 meses.

 

12º dia – quinta-feira, 22  jan  2009. USHUAIA, 89 km.

O dia foi de acordar tarde depois de levarmos uma roupas para a lavanderia fomos fazer uns passeios nas montanhas.

Conhecemos o trem do fim do mundo; encontramos também um motoqueiro canadense meio velhao que desembarcou sua moto em Buenos Aires, veio a Ushuaia e no dia seguinte estaria retornando até o Alaska, mais ou menos 17.000 km´

Fomos ainda até a bahia Lapataia, e conhecemos o correio do fim do mundo, com direito a carimbar o passaporte e enviar um cartão do fim do mundo.

Na volta pegamos um pouco de chuva e muito frio, 9 graus.

Paramos na estação de trem do fin do mundo para fugisr da chuva e tomar um chocolate quente ( 5 dolares).

A tarde aproveitamos para um cochilo e algumas comprinhas no centro da cidade.

 

13º dia – quinta-feira, 22 jan 2009. USHUAIA, 89 km.

O dia foi de acordar tarde depois de levarmos uma roupas para a lavanderia fomos fazer uns passeios nas montanhas.

 

 

Conhecemos o trem do fim do mundo; encontramos também um motoqueiro canadense meio velhão que desembarcou sua moto em Buenos Aires, veio a Ushuaia e no dia seguinte estaria retornando até o Alaska, mais ou menos 17.000 km.

 

 

Fomos ainda até a Bahia Lapataia, e conhecemos o correio do fim do mundo, com direito a carimbar o passaporte e enviar um cartão do fim do mundo.

Na volta pegamos um pouco de chuva e muito frio, 9 graus.

 

 

Paramos na estação de trem do fim do mundo para fugir da chuva e tomar um chocolate quente ( 5 dólares).

A tarde aproveitamos para um cochilo e fazer algumas comprinhas no centro da cidade.

Interessante foi olhar no relógio marcando 23:35 hrs., e só acreditar que ainda era claro porque estávamos lá.

 

 

14º dia – sexta-feira, 23 jan 2009. PUNTA ARENAS-CHI., 464 km.

Saímos de Ushuaia bem cedo, por volta de 6 e meia da manha, o termômetro marcava 6 graus, no banco das motos ainda havia sinais da geada da noite anterior.

Felizmente nesta manha havia um sol muito bonito e sem vento; dessa maneira pudemos andar rápido e tranqüilos.

Chegamos cedo na Aduana para entrar de novo no Chile.

Neste momento se despediu de nos o Samuel, tinha outro trajeto e preferia seguir sozinho.

Fizemos os tramites nas duas Aduanas e encaramos 14º km de ripio ate Porvenir, nem eram quatro horas da tarde e já estávamos aguardando a embarcação que nos levaria até Punta Arenas.

 

 

A travessia de 2 horas foi relativamente tranqüila e às 20 horas já estávamos em Punta Arenas-CHI; conseguimos um Hostal muito bom por um preço razoável para nossos padrões.

Um fato hilário foi quando na procura do hotel paramos a moto numa praça central e vários cachorros rodearam as motos latindo e nos seguiram ladeira abaixo.

Depois de um banho relaxante saímos para um vinho e um rango.

 

 

15º dia – sábado, 24 jan 2009. TORRES DEL PAINE, 408 km.

Depois de um ótimo "desayuno" saímos de Punta Arenas com destino a Torres Del Paine.

O ponto alto da viagem foi o almoço em Puerto Natales, num restaurante familiar

Onde o prato foi salmão grelhado, a dificuldade foi tocar a moto ate Cerro Castilho pelo asfalto com um sono danado.

Mas logo tivemos que pegar estrada de ripio, quase 140 km ate a entrada do Parque de Torres Del Paine.

Dali ate a pousada ainda foram mais 50 km de ripio.

Conforme avançávamos a paisagem nos convidava a parar para fotos e filmagem, com montes nevados e lagos gelados, tudo parecia um cenário de filme europeu.

Neste trecho haviam muitos animais selvagens, como cisnes, guanacos, cavalos e ate condores.

Na chegada na pousada, para comemorar fomos todos a um lago gelado e tomamos cerveja gelada no próprio lago....

 

 

16º dia – domingo, 25 jan 2009. TORRES DEL PAINE, 82 km. Só no parque.

Aproveitamos o domingo para acordar mais tarde já que o café só começava as 8 horas da manha.

Depois do desayuno pegamos algumas informações com o pessoal da pousada e fomos conhecer o lago Grey, um dos mais visitados da região; apesar da longa caminhada, todos foram unanimes em reconhecer a beleza do local porque o visual era de tirar o fôlego, apesar do frio e vento que conforme avançávamos parecia querer nos fazer sair voando morro abaixo.

Depois do almoço fomos aos lagos Sarmiento, del tor, etc.

No final da tarde, 21 horas ainda era dia claro nos recolhemos para um banho e preparar nosso material para o dia seguinte.

O jantar foi excelente.

 

 

17º dia – segunda feira, 26 jan 2009. , EL CALAFATE,  310 km.

Depois de um ótimo café na pousada em Torres Del Paine, tocamos bem devagar para Cerro Castilho, onde iríamos abastecer as motos e fazer a papelada para saída do Chile e entrada na Argentina.

Logo na saída mais uma despedida, desta vez ficou nosso companheiro Steen, que dali em diante seguiria outro roteiro e viajaria por mais dois meses ate o Equador.

Como chovera na noite anterior a estrada de ripio estava compactada e não tinha muita poeira, mas as paisagens nos convidavam a rodar bem devagar, e assim foi ate sairmos do parque, quando a estrada fica igual a todas a s outras.

 

 

De Cerro Castilho foram mais 90 km de ripio ate El Calafate, onde chegamos antes das 3 horas da tarde.

Logo depois de um lanche reforçado fomos procurar um local para ficar, conseguimos uma pousada boa tipo Hostal, onde se pode cozinhar, etc.

À tardezinha fomos a um lava rápido dar um banho nas correntes das motos para tirar a poeira e lubrificar.

Aproveitamos para fazer umas comprinhas pro café e lanche da noite e do dia seguinte.

A noite conhecemos dois rapazes de Curitiba que estavam hospedados na mesma pousada, e conversando com eles nos contaram que estavam viajando de bike há 21 dias e haviam percorrido 2 mil km., eles costumam a cada ferias anual percorrer um trecho em direção a Ushuaia e não fosse uma das bikes se quebrar teriam chegado mais perto neste ano.

 

 

18º dia – terça feira, 27 jan 2009, GLACIAR PERITO MORENO E PUNTA BANDERA,  172 km.

Depois de um bom descanso, colocarmos o diário de viagem em dia, acordamos bem descansados e logo pela manha foi a despedida do companheiro Nick, o americano, bem sensibilizado, agradeceu nossa companhia por estes seis dias e seguiu seu roteiro que era diferente do nosso também, alem dele já conhecer o Glaciar Perito Moreno, etc.

Como havíamos comprado o lanche no dia anterior, este desayuno foi muito bom.

Saímos as dez horas com destino ao Glaciar Perito Moreno, a estrada e muito bonita e bem cuidada, chegamos no primeiro mirante as 10:40 hrs., dali tocamos ate o local para pegar a embarcação e ver de pertinho o paredão  de gelo.

Chegar a poucos metros daquela imensidão de gelo é emocionante, ainda tivemos a sorte de filmar um grande pedaço de gelo se desprendendo e caindo no lago gelado com um forte estrondo, levantando uma grande onda em direção ao barco.

Dali tocamos ate Punta Banderas e em seguida voltamos a El Calafate.

Como passava das três da tarde fizemos apenas um lanche e deixamos as motos em dia para a próxima etapa ate El Chalten.   

Estamos chegando nos 6.500 km rodados.

 

 

19º dia – quarta feira, 28  jan  2009, EL CHALTEN,  387 km.

O dia amanheceu com ar de chuva, partimos cedo em direção à El Chalten, foram trechos de asfalto e pequeno pedaço de ripio, chegamos logo depois do almoço, procuramos um lugar para ficar, deixamos as bagagens e aproveitamos a tarde para conhecer "el rio del desierto", local muito bonito mas tivemos que percorrer mais de 70 km de ripio molhado (ida e volta) para chegar até lá.

Vimos nascente de água em montanhas (neve derretendo nos picos mais altos), etc.

Preparamos tudo para o dia seguinte subirmos o monte Fitz Roy: já que o tempo melhorou no final da tarde, apesar da previsão metereológica anunciar o contrário.

 

20º dia – quinta feira, 29  jan  2009, SAN JULIAN,  480 km.

Infelizmente a previsão do tempo se confirmou, o dia amanheceu com garoa fina, muito frio e com cara de que ia ser assim o dia inteiro: mas como já estávamos preparados fomos em frente.

A subida estava muito lisa e depois de 1 hora de caminhada, quando começamos a cruzar com algumas pessoas já descendo e desistindo da caminhada por que o Fitz Roy estava totalmente encoberto pelas nuvens.

Resolvemos então voltar e como teríamos um longo trecho de ripio até a Ruta 3 para seguirmos até San Julian, abastecemos as motos e fomos para a estrada, mal rodamos uns 30 km depois de El Chalten a garoa acabou e um sol bonito apareceu, aproveitamos para adiantar a viagem.

O trecho de ripio era de 230 km, quando conversamos com o pessoal do posto de gasolina para uma reabastecida e mais informações eles nos desaconselharam a seguir em frente naquele dia e deixar para o dia seguinte, já que passava das 16 horas e disseram que este trecho é muito difícil e sem nenhum tipo de recurso.

Decidimos que iríamos em frente: realmente os primeiros quilômetros foram de assustar, mas depois o vento ou a estrada mudou de rumo e passou a nos "empurrar", aí aproveitamos para acelerar.

Foram 230 km de ripio em menos de 3 horas, um tempo considerado muito bom, porque pensávamos no inicio que levaríamos mais de 5 horas na melhor das hipóteses.

Pegamos a ruta 3 e logo estávamos chegando em San Julian.

Ficamos na primeira pousada que apareceu, muito boa por sinal, saímos para jantar um  excelente lomo.

Aproveitamos para dormir cedo porque no dia seguinte teríamos o maior trecho da viagem a cumprir.

 

 

21º dia – sexta feira, 30  jan  2009, PUERTO MADRYN,  873 km.

Ainda não bem recuperados do "ripio" do dia anterior, 7 hs., da manhã já estávamos abastecendo as motos e prontos para rodar o máximo na manhã, já que precisávamos chegar em Puerto Madryn antes da oficina do Sebastien fechar, senão teríamos que adiar a revisão para o dia seguinte.

Felizmente o vento soprava a nosso favor, isto foi fundamental para mantermos uma boa media de velocidade e como as estradas naquela região são muito planas e praticamente só retas, rapidinho tínhamos rodado 400 km, quase a metade do pretendíamos naquele dia.

Numa parada para reabastecimento encontramos dois curitibanos que seguiam na mesma direção, estavam acordando naquela hora (dormiram em barraca no posto) muito cansados da "puxada" do dia anterior quando haviam percorridos quase mil quilômetros.

Nos acompanharam por alguns quilômetros depois sumiram.

Mais tarde na nossa parada para lanchar chegaram no posto e disseram que haviam parado para cochilar já que o sono tinha pegado um deles.

Nem eram 7 horas quando entramos em Puerto Madryn, fomos direto à oficina do Sebastien.

Trocamos o filtro de ar e óleo das motos e aproveitamos para uma revisão rápida, dali fomos procurar um lugar para ficar, o que estava meio difícil por ser fim de semana, os hotéis e pousadas estavam lotados.

Conseguimos uma pousada até "simpática", preço razoável, etc.

Mas... não sabíamos que havia um bar nos fundos, e aí tinha o aniversario de alguém e o "pagode" foi até uma 4 ou 5 horas da manhã, resumindo, não consegui dormir.

 

22º dia – sábado, 31   2009, BAHIA BLANCA,  737 km.

Motivado pela noite mal dormida, este trecho para mim foi o mais difícil, sem querer atrasar a viagem fui resistindo a sonolência até onde deu, mas depois de um "cochilo" meio grande em cima da moto conversei com meus companheiros e dormi por quase uma hora debaixo de uma arvores, daí pra frente a viagem foi ótima.

Mesmo com a parada chegamos em Bahia Blanca antes das 5 da tarde.

Logo na entrada da cidade um taxista nos pede para tirar uma foto das motos: depois disso no levou em vários hotéis e indicou um local muito bom e barato para jantarmos.

Depois disso fizemos umas comprinhas para o lanche do dia seguinte, telefonamos para casa e fomos para hotel.

 

 

23º dia – domingo, 01 fev  2009, CAÑUELAS,  600 km.

Como estávamos muito cansados dos dias anteriores aproveitamos este dia para descansar um pouco mais, saímos mais tarde do que de costume e fomos tocando tranqüilos.

Já que tínhamos comprado nosso lanche aproveitamos para escolher um lugar muito agradável para "almoçar", tinha até um tatuzinho passeando próximo de nós.

A chegada em Cañuelas foi antes das 5 horas da tarde, escolhemos um hotel muito agradável e barato que tinha ar condicionado, etc.

Era dia de festa na cidade, aproveitamos e filmamos o desfile de grupos "gaudérios", carros de corrida, escolas, etc.

Tomamos algumas cervejinhas a mais e fomos para o hotel.

 

24º dia – segunda feira, 02  fev  2009, MONTEVIDEO,  89 km.

Quando soubemos que o "Buquebus" partia de Buenos Aires às 9 e meia da manhã foi um corre-corre para pegar a estrada o mais rápido possível, porém apesar de ser uma "autovia" onde era permitido 130 km/h., ainda assim não foi possível pegarmos este barco, já que quanto mais próximos do centro da cidade chegávamos, mais o transito travava e tinha o agravante maior de que em toda a Argentina moto não paga pedágio, mas.... na província de Buenos Aires..paga sim.

Isto atrasou muito nossa chegada até o barco.

Mas há males que vem pra bem, quando percebemos que não daria para pegar este barco, resolvemos contratar um táxi e fazer um city tour pela cidade: foi a melhor coisa que aconteceu.

Fomos conhecer a "bombonera", o caminito, ricoleta, e até o Maradona "cover".

Às 16:30 hs., pegamos o barco para Montevideo, muito caro para os nossos padrões (140 dólares por cabeça), he, he.

Mas a viagem foi tranqüila e deu pra "descansar" bastante.

Depois de 3 horas de mar, finalmente chegamos em Montevideo, trocamos algum dinheiro num "cambio" próximo ao desembarque e fomos para o centro da cidade procurar um hotel.

 

 

25º dia – terça feira, 03 fev  2009, CHUI-RS.,  389 km.

Pela manhã contratamos um táxi e fizemos um city tour pela cidade de Montevideo, fomos ao estádio Centenário de futebol, vimos o museu dos campeões, etc.

Montevideo nos pareceu uma cidade sem atrativos na chegada na noite anterior, mas depois do city tour nossa opinião mudou bastante, já que o "outro" lado da cidade era bem moderno e interessante, inclusive a catedral que tinha até a pia batismal do grande general Artigas, um mártir do povo uruguaio.

Logo depois do almoço tocamos para Maldonado e Punta del Leste, realmente este balneários famosos são dignos da fama de "milionários", porque em quase 14 km de praia que percorremos percebemos a beleza e o luxo das casas e mansões na orla marítima, inclusive transatlânticos muito próximos.

Cruzamos a fronteira por volta de 20 horas, finalmente estávamos de volta ao Brasil; desta vez pegamos um hotel bem legal com restaurante próprio, etc.

 

26º dia – quarta-feira, 04 fev 2009, MOSTARDAS-RS., 402 km.

Saímos de Chui bem cedo, e antes do almoço estávamos em Rio Grande.

Almoçamos muito bem, afinal estamos no Brasil.

Logo depois do almoço fomos a uma oficina de motos e trocamos o óleo das motos.

Nos informamos sobre a "estrada do inferno" pois pretendíamos seguir por ela.

À tarde pegamos a balsa para São Jose do Norte que é onde começa a famosa estrada; mas infelizmente a estrada do inferno hoje já está asfaltada e perdeu o "encanto".

A chegada em Mostardas foi às 18 horas.

Conseguimos uma pousada bem "arrumadinha" e o restaurante também.

 

 

27º  dia – quinta-feira, 05 fev 2009, LAGUNA-SC., 418 km.

Aproveitei  o tempo tranqüilo para logo depois do café colocar em dia meu diário de viagem.

Nem eram 10 hrs., da manhã e fomos abastecer as motos num posto de gasolina bem próximo da pousada, quando me preparava para colar um adesivo do moto clube num vidro do posto, minha surpresa foi grande quando encontro um adesivo do moto clube estradeiros, também de Paranaguá.

Finalmente pegamos a famosa estrada do inferno, assim denominada por que até alguns anos atrás, transitar por esta estrada era a verdadeira "visão do inferno", só que a hora está "asfaltada", ou melhor dizendo "estava", por que existem cada panela" que fica praticamente impossível desviar de todos os buracos da pista.

Fica até engraçado acompanhar o "balé" dos veículos que nela transitam, à noite então é "filme de terror"; mas nós queríamos aventura e assim foi por até uns 60 km.

Quando chegamos próximo Osório e iríamos pegar a rodovia do Sol, passamos por uma estação de teste ou pesquisa de "mega-ultra" super hiper mega cata-ventos, de captação de energia eólica, com mais ou menos uns 70 metros de altura, (ou mais) idênticos aqueles que vimos na Patagônia, a diferença é que na Patagônia eram apenas cinco e aqui nem conseguimos contar todos, mas no mínimo eram uns 60 ou mais.

Depois de entrarmos na Rodovia do Sol a velocidade máxima era de 80 km/h., e havia um "pardal" a cada 3 km.

Depois de Torres, finalmente saímos da rodovia do Sol e pegamos a BR 101, só que desta vez eram os "desvios" e o enorme numero de caminhões que "travavam" a viagem.

Finalmente às 18 horas chegamos em Laguna; rapidamente nos dirigimos a um posto de informações e com a indicação conseguimos um hotel muito bom e por preço relativamente baixo.

Depois de um banho dei uma ajustada na corrente da moto e fomos jantar.

Restaurante à beira mar e o cardápio...tainha recheada com molho de camarão, etc., tudo acompanhado de uma cervejinha experta (com moderação, é claro!) he, hé... 

 

DEVEREMOS CHEGAR EM PARANAGUÁ AMANHÃ, SEXTA-FEIRA  À  NOITE 06/02/2009.....

 

 

Mapa da Viagem

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Ushuaia

Este é o destino final da Expedição

Ela é a cidade mais austral do mundo, na chamada Terra do Fogo - e também o fim da linha

Se Judas pudesse escolher um lugar para perder suas botas, talvez elegesse Ushuaia. Fica mesmo lá, onde acaba o continente e não há como ir adiante. Quer dizer, a não ser embarcando em um navio para hibernar na Antártica. Não é por acaso que a região que acalenta Ushuaia seja chamada de Tierra del Fuego (quer nome mais potente?).

Quando os espanhóis primeiro dali se aproximaram, ficaram enfeitiçados pelas várias fogueiras que viram. Índios yamanas usavam esse artifício para se esquentar na, verdadeiramente, terra do gelo. Hoje, Ushuaia, o centro da Tierra del Fuego, é, como diria Roberto Carlos, uma brasa, mora! É uma cidade gostosa, embrulhada em um cenário montanhoso inacreditável, picos nevados quase em 360 graus clamando por escaladores, trekkers, esquiadores.

No mar, pesca-se, passeia-se de barco. Em terra, fogo da lareira. Fogo também assando cordeiros patagônicos e parrilladas completas, fogo refletindo em garrafas de vinho, fogo esquentando chocolates quentes, feitos com barras de chocolate puras, misturadas em um potinho... coisa de alquimista.

 

Viagens Maneiras em Ushuaia - ARGENTINA

 

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